Validador de boleto: confere a estrutura antes de você pagar
Cole a linha digitável (47 dígitos) ou o código de barras (44 dígitos) e a ferramenta verifica, no seu próprio navegador, se os dígitos verificadores estão corretos e se a estrutura bate com o padrão FEBRABAN. Quando passa, ela ainda lê o banco emissor, o valor e o vencimento que estão codificados no próprio número.
É bom deixar claro logo de cara o que isso resolve e o que não resolve. A validação detecta número digitado errado, código corrompido e alteração tosca — mas não confirma se a cobrança é legítima nem quem vai receber o dinheiro. Mais sobre isso na seção “o que confere e o que NÃO confere”.
Estrutura do boleto: código de barras de 44 dígitos x linha digitável
Boleto não é número aleatório. No boleto bancário, o código de barras tem exatamente 44 dígitos e cada faixa de posições significa uma coisa. É isso que permite ler valor e vencimento sem consultar banco nenhum.
| Posições | Tamanho | O que é |
|---|---|---|
| 1 a 3 | 3 dígitos | Código do banco (ex.: 341 = Itaú, 237 = Bradesco, 001 = BB, 104 = Caixa) |
| 4 | 1 dígito | Código da moeda (9 = Real) |
| 5 | 1 dígito | Dígito verificador geral do código de barras (módulo 11) |
| 6 a 9 | 4 dígitos | Fator de vencimento (contador de dias desde 07/10/1997) |
| 10 a 19 | 10 dígitos | Valor do boleto em centavos |
| 20 a 44 | 25 dígitos | Campo livre (uso de cada banco: nosso número, agência/conta, carteira) |
44 (código de barras) x 47 (linha digitável bancária)
O código de barras é o que o leitor óptico enxerga: 44 dígitos corridos. A linha digitável bancária tem 47 dígitos e existe para você digitar à mão. Ela pega aqueles mesmos 44 dígitos, reorganiza e insere 3 dígitos verificadores extras (um para cada um dos três primeiros blocos), calculados por módulo 10. Daí a conta: 47 = 44 dados úteis + 3 conferências de digitação.
A linha digitável bancária se divide em 5 campos:
| Campo | Dígitos | Conteúdo | Conferência |
|---|---|---|---|
| 1 | 10 (XXXXX.XXXXX) |
banco + moeda + início do campo livre + DV do campo | módulo 10 |
| 2 | 11 (XXXXX.XXXXXX) |
continuação do campo livre + DV do campo | módulo 10 |
| 3 | 11 (XXXXX.XXXXXX) |
fim do campo livre + DV do campo | módulo 10 |
| 4 | 1 | DV geral do boleto | módulo 11 |
| 5 | 14 | fator de vencimento (4) + valor em centavos (10) | — |
E o boleto de concessionária?
Conta de luz, água, gás e telefonia segue outro padrão, e a ferramenta detecta isso pelo primeiro dígito igual a 8. Nesse caso, a linha digitável tem 48 dígitos, organizados em 4 blocos de 12 (11 dígitos + 1 verificador cada). O módulo usado em cada bloco — 10 ou 11 — depende do terceiro dígito do número.
Uma diferença importante e honesta: o boleto de concessionária não carrega o fator de vencimento na mesma posição do bancário. Por isso, para esse tipo, a ferramenta valida e extrai o valor, mas não mostra data de vencimento nem código de banco — esses campos vêm em branco mesmo.
Como o validador confere cada dígito (módulo 10 e módulo 11)
A validação é puramente matemática. Não há consulta a base de banco — é o mesmo algoritmo público que o leitor da lotérica usa.
Dígito verificador módulo 10 (blocos da linha digitável)
Aplicado em cada um dos três primeiros blocos da linha bancária. Da direita para a esquerda, multiplica os dígitos alternando por 2 e por 1. Quando o resultado de uma multiplicação passa de 9, somam-se os dois algarismos (ex.: 14 vira 1 + 4 = 5). Soma tudo, e o DV é o quanto falta para o próximo múltiplo de 10. Se o dígito guardado no bloco não bater com esse cálculo, o boleto é reprovado.
Dígito verificador módulo 11 (DV geral do código de barras)
É o dígito da posição 5 do código de barras, que valida o boleto inteiro. Multiplica os 43 dígitos restantes, da direita para a esquerda, por pesos que crescem de 2 a 9 e reiniciam. Divide a soma por 11 e calcula 11 − resto. Há uma regra de exceção: quando o resultado dá 0, 10 ou 11, o DV vira 1. Trocar um único dígito no boleto muda essa conta e derruba a validação.
Fator de vencimento (4 dígitos → data)
As posições 6 a 9 não trazem a data escrita — trazem um contador de dias a partir de 07/10/1997 (a data-base, fator 1000). A ferramenta soma esses dias à data-base e converte para uma data legível. Esse campo só existe no boleto bancário.
Valor (10 dígitos em centavos)
As posições 10 a 19 guardam o valor em centavos, sem vírgula. 0000015000 são R$ 150,00; 0000012750 são R$ 127,50. A ferramenta divide por 100 e mostra no formato brasileiro. Boleto sem valor fixo no campo (todos zeros) aparece sem valor.
O que este validador confere — e o que NÃO confere
Esta é a parte que mais importa para não criar falsa sensação de segurança.
Confere:
- Se o comprimento está certo (44 no código de barras; 47 no bancário, 48 no de concessionária).
- Se os dígitos verificadores (módulo 10 nos blocos, módulo 11 no geral) fecham.
- Lê banco, valor e vencimento que estão codificados no número (vencimento só no bancário).
NÃO confere:
- Não confirma o pagamento. Não sabe se o boleto já foi pago ou se está registrado no banco.
- Não verifica o beneficiário. O nome de quem vai receber não está no código de barras — está impresso no boleto. A ferramenta não tem como checar se é a empresa certa.
- Não detecta fraude real. Um golpista que recalcule os dígitos verificadores corretamente gera um número que passa nesta conferência. Validar a matemática não é o mesmo que garantir que a cobrança é honesta.
Tudo isso roda localmente, no seu navegador. Nada é enviado ou guardado.
Exemplo: lendo um código de barras de 44 dígitos
Pegue este código de barras bancário, que passa na validação da ferramenta:
34197999900000150000000000000000000000000000
Lendo posição a posição, conforme a tabela lá de cima:
| Posições | Dígitos | Significado |
|---|---|---|
| 1 a 3 | 341 |
Banco Itaú |
| 4 | 9 |
Moeda: Real |
| 5 | 7 |
DV geral (módulo 11) — confere |
| 6 a 9 | 9999 |
Fator de vencimento |
| 10 a 19 | 0000015000 |
Valor: R$ 150,00 |
| 20 a 44 | 000…0 |
Campo livre |
Aqui vale uma nota de honestidade técnica: o fator de vencimento é só um contador de dias desde 07/10/1997, e a ferramenta converte esse contador somando os dias à data-base. O número que aparece como vencimento depende exclusivamente desse cálculo — ele não vem “escrito” no boleto. O que interessa para você é o método: o validador não adivinha nada, apenas decodifica posições fixas que já estão dentro do próprio número.
Trocar um único dígito desse código — por exemplo, mudar o valor — quebra o DV da posição 5, e o boleto passa a ser reprovado na hora.

Quando vale a pena validar antes de pagar
A validação técnica resolve bem um problema específico: número errado ou corrompido. Veja onde ela ajuda de verdade.
Linha digitável digitada ou ditada. Alguém te passou os 47 dígitos por mensagem de texto ou por telefone. Um dígito trocado já reprova — você descobre o erro antes de tentar pagar e cair em uma cobrança incompleta.
Segunda via impressa na lotérica. Antes de sair do balcão, cole a linha digitável e confira se o valor extraído bate com o esperado. Se a impressão saiu borrada ou o atendente errou um número, dá pra pedir a reimpressão na hora.
Boleto recebido por e-mail ou WhatsApp. Aqui a validação é só o primeiro filtro. Ela confirma que o número é estruturalmente válido, mas não diz se a cobrança é real. Se você não esperava o boleto, gere a segunda via direto no site oficial da empresa e compare o beneficiário — não confie só no número que chegou na mensagem.

Privacidade: tudo acontece no seu navegador
A validação é processada localmente, em JavaScript, no seu dispositivo. A linha digitável e o código de barras não saem do seu navegador — não há envio para servidor do Forjaly nem de terceiros, e nada fica armazenado. Como não coletamos nenhum dado do boleto, não há o que vazar. É processamento local em conformidade com a LGPD.
Depois de validar, qual o próximo passo?
Se você só quer conferir um número, a ferramenta acima já resolve. Mas o pagamento seguro tem mais etapas que a matemática não cobre:
- Estrutura válida? Use a ferramenta. Reprovou — pare, não pague.
- Valor e vencimento batem com o que você esperava?
- O beneficiário impresso no boleto é mesmo a empresa certa? (esse dado não está no código de barras)
- A origem é confiável? Recebeu por mensagem? Prefira gerar a segunda via no canal oficial.
Se a cobrança envolve um CNPJ que você não reconhece, o Validador de CPF/CNPJ confirma se o número do documento ao menos é válido antes de você pesquisar a empresa. E quando o pagamento puder ser por outro meio, o Gerador de PIX cria um código de cobrança rastreável na hora.
A validação do número é a parte fácil — e é a que a ferramenta faz por você em segundos. O resto é olhar o beneficiário e a origem com calma.